
DOENÇA DA ARRANHADURA DO GATO (C.S.D. – Cat Scratch Disease)
A Doença da Arranhadura do Gato, causada pela Bartonella henselae, patologia humana também conhecida como Linforeticulose Benigna ou Febre da Arranhadura do Gato. Não é uma patologia veterinária propriamente dita, mas a aquisição dela, por parte do homem, se faz devido à contaminação felina.
Trata-se de doença não contagiosa que acomete os seres humanos através da lambedura, mordida ou arranhadura do gato, mas em 10% dos casos não houve evidencia de envolvimento dos mesmos. Assim, alguns autores apontam a pulga ( Ctenophalides fel i ) como vetor, mas as suspeitas não foram confirmadas.
A C.S.D. acomete mais aos jovens e crianças, do sexo masculino (60% nos EUA), e na maior parte das vezes apenas uma pessoa da casa, mas já foram reportados múltiplos casos dentro da mesma família, atribuídos a um único gato. É auto-limitante e benigna, não apresenta prurido, causa pápulas ou pústulas eritematosas que têm um período de incubação de 3 a 90 dias após a inoculação, e na média não demora mais que 10 dias para surgir.
O curso da doença é de 2 a 4 meses e pode passar por fases de linfoadenomegalia acompanhada de febre. O envolvimento de linfonodos depende da localização da mordida. Em casos recentes, eles estavam relacionados à presença da Bartonella clarridgeiae .
A bactéria bacilar gran negativa, Bartonella henselae , é intracelular obrigatória, da família das Rickettsia e também pode causar a Angiomatose Bacilar (BA) e uma forma de hepatite, mas apenas em pessoas imunodeprimidas com HIV, cancerígenas, que estão passando por quimioterapia e ocasionalmente pessoas que sofrem de alcoolismo, diabete mellitus e leucemia linfocítica, vindo daí o interesse maior frente a doença no últimos anos.
No gato a B. henselae é na maior parte das vezes inócua, sendo encontrada na cavidade oral, células vermelhas e unhas. Sendo o gato assintomático, estima-se que 40% deles sejam carreadores
O diagnóstico é baseado nos fatores abaixo:
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• Arranhão ou mordida de gato.
• Linfoadenopatia regional com características nodais.
• Resultados laboratoriais negativos para linfoadenopatia inexplicada.
• Resultado positivo na pele com o teste de antígeno de C.S.D., através do teste intradermal.
• Localização do organismo característico em biópsias coradas pela Prata Warthin – Starry.
• Testes de Fluorecencia Indireta e Enzima Imunoensaio para detecção do anticorpo.
• Cultura do organismo, coletados de linfonodos com conteúdo purulento, semeados em Agar enriquecido com sangue de rato, adicionando 5% de CO 2 , durante longos períodos a 36 ° C
• Amplificação do DNA do agente, com PCR também tem sido empregado em tecidos. |
Histopatologicamente temos área de necrose envolta cocentricamente por histiócitos linfócitos e células gigantes. A lesão primária, pápulas ou pústulas podem romper e deixar crostas. Linfoadenites doloridas podem surgir na região, acometendo 1 só linfonodo em 85% dos casos, podendo este acometimento persistir durante semanas à meses. O linfonodo acometido pode drenar e levar a sinais sistêmicos como febre, mialgia, dor de cabeça, anorexia e moleza, com perda de peso, dor de garganta, esplenomegalia, náuseas e vômitos. Eventualmente podem ocorrer problemas oculares - Síndrome oculoglandular de Parinaud's - e sinais neurológicos ( tonturas, dores de cabeças ou delírios ). Já nos imunodeprimidos os sintomas podem ser os mais variados possíveis.
Na maioria dos casos o tratamento é descomplicado, e terá involução do quadro espontaneamente. Raramente pode se tornar bastante difícil, pois é um organismo resistente “in vivo” e facilmente morto “in vitro”. Abcessos devem ser drenados ou extirpados para aliviar os sintomas.
Suspeita-se que grande parte dos sintomas sejam imunomediadas e não sedem. Descanso e analgésicos podem aliviar e antibióticos de eleição são: Rifanpim, Ciprofloxacin, Trimetropin-Sulfametocazole, Gentamicina e ocasionalmente se obtém sucesso com Doxyciclina, Eritromicina, Penicilina, Ceftriazone e Azithromicina. A medicação é feita durante 15 dias ou até 6 semanas para pacientes imunodeprimidos.
O controle sugerido é a retirada dos gatos contaminados do ambiente familiar, principalmente afastado-os do convívio de pessoas imunossuprimidas, ou a aplicação de uma vacina contra a CSD humana, agora à disposição.
Observação: a Angiomatose Bacilar (BA), também causada pelo Bartonella henselae e por espécies relacionadas como B. quintona (agente da febre “trench”), não é zoonose, pois é transmitida pelo homem. Acomete pessoas imunossuprimidas na forma cutânea ou multisistêmica com proliferação vascular sem resposta granulomatosa da C..S.D., eventualmente podemos encontrar o bacilo com uso do corante Warthin-Stany.
Pode acometer a porção cutânea, subcutânea ou vasos parenquimatosos. As lesões cutâneas podem ser idênticas a lesões nodulares de sarcoma Kaposi's, mas o prognósticos é diferente e a biópsia é essencial.
Sintomas sistêmicos incluem linfoadenopatia, podendo envolver ossos, cérebro, fígado e baço além da endocardite devido a bacteremia. O acometido apresenta também moleza, febre e anorexia.
O diagnóstico é sugerido em pacientes imunodeprimidos com lesões vasculares cutâneas, organomegalia inexplicada e febre de origem desconhecida. Na biópsia de lesões cutâneas pode-se encontrar o bacilo e fazer testes com PCR para determinação do DNA do Bartonella henselae e do B. quintona ou sorologia de anticorpos confirmam o diagnóstico.
Os tratamentos esbarram no mesmo problemas do C.S.D., mas respondem bem à terapia de antibióticos.
Sendo que os pacientes que já tiveram C.S.D. se tornam imunes a doença.
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